Close

Not a member yet? Register now and get started.

lock and key

Sign in to your account.

Account Login

Forgot your password?

Envelhecimento

Envelhecimento

Acabo de ministrar um mini-curso para a Faculdade da Terceira Idade da PUC-Campinas. Foi um prazer muito grande me encontrar com aquelas pessoas sorridentes e queridas. Falei para e com eles sobre Teologia Moral e Pós-modernidade. Discutimos as mudanças culturais que afetam o comportamento humano nos últimos anos. Foi muito gostoso sentir o carinho deles e a compreensão em relação aos temas atuais. Ser velho é não querer viver.

A questão do envelhecimento e da longevidade humanos vem, nos últimos 25 anos, sendo discutida como um dos assuntos prioritários do século XXI, e atualmente está no foco e na agenda de todos os países desenvolvidos, em desenvolvimento ou emergentes. É fundamental nos tempos atuais compreender o processo de envelhecimento bem como suas consequências, presente e futura, para a população mundial. Nos próximos anos o Brasil será um país com uma população idosa considerável. A informação, a formação e a educação continuada são os principais recursos para a conscientização crescente da sociedade, no enfrentamento dos desafios trazidos por uma das mais notáveis conquistas do ser humano – a longevidade – e primeiro passo para ações transformadoras. A ação política perante este desafio é tarefa de todos os cidadãos e deve responder às questões: que futuro desejamos para uma sociedade com indivíduos cada vez mais longevos, incluindo, dentre estes, cada um de nós? Como cada um prepara seus espaços internos e externos na perspectiva da longevidade? Como podemos construir juntos esta “nova” longa vida?

Conheço muitas pessoas que atingiram uma maturidade maravilhosa. Souberam preparar a sua velhice desde a juventude. Viveram com intensidade cada momento de suas vidas e chegaram à “terceira idade” com muita saúde, paz e alegria. Infelizmente, na civilização atual, a velhice passou a ser algo sem sentido. Na era da produtividade, da eficácia e da eficiência, o idoso tem sido olhado com desdém. Para muitas pessoas a velhice é entendida hoje como um peso, como uma fase da vida que não tem nada com que contribuir e na qual cabe apenas um simples sobreviver, tudo isso dentro de uma sociedade do bem-estar que privilegia os jovens.

A recente insistência de que a aposentadoria para as pessoas idosas deve ser alimentada pelas contribuições feitas pelas gerações mais jovens deu lugar ao aparecimento de um mal-entendido injusto de que ficar velho pode pressupor um ônus para o conjunto social e um fardo pesado para o restante da coletividade de qualquer comunidade. A teologia moral trabalha com o pensamento de que o idoso não é um peso, ao contrário, trata-se apenas de uma idade diferente das outras já vividas. Uma realidade nova na qual a pessoa tem o mesmo direito e o mesmo dever que tinha nas fases anteriores de continuar realizando completamente sua história. O idoso não é uma pessoa aposentada, nem finalizada, mas alguém que está ainda em devir e que precisa ir traçando as últimas finalizações da sua obra. Gosto dos idosos que se vinculam aos trabalhos comunitários, que se envolvem com outras pessoas, que ajudam o próximo, que continuam se doando. A vida é um inteiro processo e se realiza completamente em todas as fases da existência até o último suspiro.

PE. JOSÉ TRASFERETTI

DOUTOR EM TEOLOGIA E FILOSOFIA, PROFESSOR TITULAR DA PUC-CAMPINAS E AVALIADOR/INEP-MEC

 


Deixe um comentário