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Deus permite a opressão e a violência?

Publicado por Redação em 03 - Abr de 2010 | Comentar
Deus permite a opressão e a violência?

A experiência frente o mal no mundo levanta, para muitos, a incapacidade de entender a impotência divina: por que Deus permite a opressão e a violência, os desastres e as calamidades? Essas situações de desmandos da natureza e as injustiças da história parecem mostrar que o mal está dominando o mundo e Deus mesmo é incapaz de controlá-lo.

Jesus, frente às questões que lhe são apresentadas por algumas pessoas que queriam saber de quem era a culpa daqueles que foram atingidos por maldades (Cfr. Lc 13, 1-9) ensina a arte necessária do discernimento que se deve praticar diante dos acontecimentos naturais e históricos.

O mal presente tanto na história como quanto na natureza, está intimamente ligado ao pecado, mas – apesar das aparências – não escapa das mãos daquele Deus que tem nas mãos os abismos da terra (Sl 95,4), que recolhe em odres as águas do mar (Sl 33,7).

É verdade que todos pecamos (Rm 3,23) e nem de longe avaliamos as nefastas conseqüências do pecado que invadem, mesmo sem o saber o mais profundo de nossas vidas afetando outras vidas. Mas também é verdade que o mal é hoje para nós o lugar de nossa salvação; “onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5,20).

É nessa lógica que devemos ler todos os acontecimentos. Cada um deles, vistos em profundidade, são sinais de perdição e de salvação. Os acontecimentos humanos e naturais desvelam a perdição da qual nos salva, pela graça, a nossa conversão Àquele do qual nos afastamos. Libertamo-nos, assim, do maniqueísmo, que, na sua visão reducionista e enganadora só conhece duas possibilidades: o bem e o mal.

É certo que existem um conjunto de causas físicas e sociais que sustentam e promovem tanto o bem quanto o mal, mas, uma causa, muitas vezes desprezada e desconhecida é reconhecer o mal dentro de nós, do qual devemos nos converter. Sem ignorar o mal histórico, natural, social é preciso porém, ir à raiz do mal que no fundo move a nossa vida. Só assim podemos ter um olhar mais profundo, real sobre os acontecimentos pessoais e sociais. A questão do mal é a que desafia todos os problemas. A tentativa de nos defender do mal ou culpar outros ou o Outro move todo pensamento humano e é o maior desafio para a fé: pode negá-la ou fortalecê-la, levar ao conformismo ou a uma compreensão mais profunda e verdadeira.

O mau discernimento divide os bons dos maus em nome da justiça, já entendida de maneira incorreta e considera o bem como algo fraco e impotente e o mal, como algo inevitável e fatal. Uma mentalidade assim considera que o sofrimento em si seja simplesmente e necessariamente um mal.

O bom discernimento abre os olhos para enxergar a realidade com mais profundidade e amplitude e leva a uma mudança de vida superando o maniqueísmo, o objetivismo e o subjetivismo.

Essa mudança exige nova mentalidade, novos sentimentos, novos comportamentos. Nossa liberdade continua determinando nossa história e construindo a história de nosso tempo e do futuro. A história é ao mesmo tempo o lugar e o tempo da espera, da esperança, da paciência, da dilatação de almas e corações para uma compreensão mais real do que nos envolve.

Conversão e história andam juntas, assim como espera e esperança, paciência e misericórdia. No princípio e no fim de tudo está Deus Amor que nos indica, por caminhos diversos, a conversão.

PADRE JOSÉ ALEM, MISSIONÁRIO FILHO DO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA (CLARETIANO).

DEDICA-SE A RETIROS, CURSOS, PALESTRAS, ATIVIDADES EDUCATIVAS PASTORAIS. EDUCADOR E COMUNICADOR, ESCRITOR, CONFERENCISTA. SEU ÚLTIMO LIVRO FOI “DIÁRIO DE MARIA, CENAS DO EVANGELHO NARRADAS PELA MÃE DE DEUS”. TEM O SEGUINTE BLOG: HTTP://MERGULHOSEVOOS.ZIP.NET

 


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