Close

Not a member yet? Register now and get started.

lock and key

Sign in to your account.

Account Login

Forgot your password?

A Visão de um seminarista

A Visão de um seminarista

Recentemente, vemos nos meios de comunicação notícias sobre casos de pedofilia envolvendo presbíteros da Igreja Católica. Notícias e afirmações que carregam verdades e posições errôneas acerca da vivência do sacerdócio e da posição oficial da Igreja, incluindo a figura do Papa Bento XVI.

Em algumas matérias, buscaram-se, na formação dos seminaristas, as raízes para as patologias presentes em presbíteros, e que a questão do celibato teria que ser revista. O nosso objetivo é elencar algumas questões também essenciais na vida de um presbítero, que acredito ser fundamentais na formação dos futuros padres.

É muito comum sermos indagados a respeito do fundamento da nossa opção vocacional. Quem nos chamou? Como abdicar a algo tão essencial na vida de um homem, como é a relação sexual? Tenho a convicção de que nossa vocação brota de algo muito mais profundo do que tais questões.

Nossa preocupação não é com nossas vidas ou com nossas necessidades sexuais. Sei que isso, na contemporaneidade, é algo estranho: não é em nossos desejos e anseios que pensamos. Quando percebemos o chamado de Deus, que acontece na nossa vida, na nossa história, buscamos algo mais profundo do que nossos sonhos pessoais.

Quem já fez uma experiência de fé sabe do que estou falando. Sabe que não é algo irracional nem irreal, mas que ultrapassa a nossa razão: é transcendente! É fazer a experiência de Deus como Abraão, Moisés, os profetas, os judeus, os cristãos e todas as religiões. Nossa vocação brota dessa experiência de fé no Deus presente na história. Experiência pessoal que nos impulsiona para a vivência comunitária e para o serviço dos nossos irmãos e irmãs. No serviço aos mais fracos e pequenos percebemos a presença de Deus que nos chama para o serviço total a Ele e a esses. Daí cabe a nós respondermos com fidelidade e amor ao Projeto de Deus.

Como todos os seres humanos, somos fruto da sociedade em que vivemos, por isso, podemos ter psicopatologias, distúrbios psicológicos e tantas outras coisas, já que todos nós somos feitos do mesmo “barro”. Somos seres humanos buscando superar nossas dificuldades e limitações, em busca de uma santidade, mas não a perda da nossa humanidade.

O mundo contemporâneo parece clamar por Super-Homens e, muitos acreditam que esses que são “diferentes” por serem homens do sagrado, devem ocupar esse posto. Sentimos muito se não o somos, se somos iguais a todos os seres humanos: limitados e deficientes.

Entristecem e machucam as denúncias e os casos de pedofilia, como tantos outros tipos de contra-testemunhos dados por homens e mulheres da Igreja, mas também machucam tais atos cometidos por pais de família, médicos, professores e profissionais das mais diversas áreas. Somos a favor da punição legal de todas essas pessoas, mas não podemos generalizar.

Afirmamos, sim, que recebemos um chamado de Deus para o serviço ao seu povo na Igreja. Pedimos, como o Papa Bento XVI, perdão às vítimas dessas atrocidades. Sabemos que as marcas deixadas por abusos de irmãos nossos nunca serão cicatrizadas. Mas acreditamos que o amor de Deus fará com que nós, que estamos no processo de formação, sejamos diferentes. Continuo animado em minha vocação para ser servidor e amante do povo, sendo o primeiro que serve, que se faz servidor de um povo que já sofre com tantas injustiças.

Acredito que o Deus de toda a esperança e defensor da vida faz brotar a cada dia vocações verdadeiras para o serviço presbiteral na Igreja, como verdadeiros ministros e portadores da Boa Notícia, para que todos tenham vida e a tenham em abundância. Como seguidores de Cristo, anunciando um reino de Paz e Justiça, não como utopia, mas como urgente e possível.

RENATO DE MOURA PETROCCO

SEMINARISTA DE TEOLOGIA DA ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS

ESTUDANTE DE TEOLOGIA DA PUC-CAMPINAS

MEMBRO DA COMISSÃO ARQUIDIOCESANA DAS CEBS

MEMBRO DA EQUIPE DE ASSESSORIA DA PJ

 


Deixe um comentário